TEMA: A VIDA DE UM HOMEM NÃO CONSISTE NA QUANTIDADE DE SEUS BENS

TEXO BASE: Lc 12.13-21

TEXTOS COMPLEMENTARES: Ez 22.12; Ex 18.21; Mt 6.21-22; Mc 7.22-23; Cl 3.5; 1 Tm 6.6-10, Rm 5.1,10.

Para Jesus, existem ricos que são pobres para com Deus (Lc 12.21).

Na trilha deste raciocínio, o Mestre discursou sobre nossa relação com a riqueza. Em Lucas capítulo 12 temos severa advertência contra “toda e qualquer” avareza. Daí, cabe-nos perguntar: o que vem a ser “avareza”? Vejamos, avareza é a sede insaciável de uma quantidade cada vez maior de algo que acreditamos ser necessário para nos fazer sentir verdadeiramente satisfeitos*. Vale dizer: apesar de ser uma atitude muito associada a dinheiro, pode-se aplicar o mesmo conceito a tudo que é externo ao ser humano, ou seja, tudo que adquirimos, seja status social ou racial, bens ou poder. Somado a isto, a avareza é um falsa crença de que “coisas” podem nos trazer sentido, valor e satisfação. Viver a partir desta maneira de pensar é confiar e idolatrar (Cl 3.5) riquezas terrenas e, para Cristo, isto é ser pobre.

A avareza é o oposto da ideia bíblia de contentamento.

O apóstolo Paulo escreve a Timóteo sobre “o amor ao dinheiro” (1 Tm 6.6-10) e defende que toda a prática da vida cristã deve ser acompanhada de contentamento. Para ele, contente é quem esta pleno, satisfeito por ser quem é, seja na escassez ou na abundância. E mais, tal pessoa confia que Deus lhe proverá todo seu sustento financeiro e o satisfará a alma com Sua presença santa. Isso produz no ser humano um espírito de gratidão e desprendimento. Também é importante destacar que se adquirirmos essa forma de pensar teremos  fé e integridade estáveis, entendendo que a vida rica é uma vida contente a serviço de Deus e do próximo. Por outro lado, se amarmos o dinheiro seremos corrompidos em nossos corações e mentes e nos tornaremos egoístas, corruptos e opressores (Ez 22.12).

Se a essência da vida não é possuir uma quantidade cada vez maior de coisas, o que seria viver de acordo com as Escrituras?

Para Jesus, viver não é apenas ter um corpo saudável e uma mente pensante. É muito mais, pois tem a ver com dois fenômenos espirituais mais profundos: primeiramente, viver de fato é está reconciliado com o Pai, nas palavras de Paulo: é está em paz com Deus por meio da fé no Seu único Filho (Rm 5.1 e 10). Note que na parábola de Lucas 12 o rico apesar de ter muito recurso material, não tinha nada em sua alma, isto é, não conhecia nem confiava na presença de Deus. Por isso, quando a morte chegasse estaria perdido. Em segundo lugar, só está vivo de fato quem vive em função do outro, fazendo com que a comunidade seja grandemente abençoada. Esta é a lei da generosidade e do amor que confronta a avareza tão comum no sistema mundano. Portanto, o egoísmo também é uma espécie de morte. E, para experimentar a vida abundante de Cristo (Jo 10.10), é necessário abandoná-lo.

 

*definição do comentarista bíblico W. Weirsbe.

 

 

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